Pergunta: Pai Antonio o senhor poderia comentar um pouco sobre as mensagens psicografadas que encontramos hoje divulgadas na internet de diversas fontes, usando o nome de entidades ligadas a Umbanda, Espiritismo etc…?
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SE EU SAIR DO TERREIRO OS GUIAS VÃO ME PERSEGUIR
aprender a sermos responsáveis pelos nossos atos. A função de um guia é “orientar” e não “assumir” e militando dentro da lei e da justiça divina jamais nos prejudicariam, pois os mesmos aprenderam a respeitar a lei do livre arbítrio. Acreditar que um guia de lei nos prejudicaria é menosprezarmos os fundamentos sagrados de nossa Umbanda.
Guia de lei não lhe persegue, o que lhe persegue é sua consciência. Guia de lei não lhe prejudica, o que lhe prejudica é sua ignorância espiritual. Guia de lei não fecha os seus caminhos você joga fora as oportunidades que lhe são ofertadas Guia de lei não facilita as coisas, tudo o que conquistamos vem de nosso esforço e merecimento Esperamos ter contribuído para o esclarecimento de todos e encerramos este texto com as palavras do saudoso CABOCLO MIRIM: Umbanda é coisa séria, pra gente séria. Com votos de muita luz a todos. Pai Géro Sacerdote de Umbanda
Lenda de Ibejis – Reginaldo Prandi
Os Ibejis, os Orixás gêmeos, viviam para se divertir.Não é por acaso que eram filhos de Oxum e Xangô.
Viviam tocando uns pequenos tambores mágicos, que ganharam de presente de sua mãe adotiva, Iemanjá.
Nessa mesma época, a Morte colocou armadilhas em todos os caminhos e começou a comer todos os humanos que caíam na suas arapucas.
Homens, mulheres, velhos ou crianças, ninguém escapava da voracidade de Icu, a Morte.
Icu pegava todos antes de seu tempo de morrer haver chegado.
O terror se alastrou entre os humanos.
Sacerdotes, bruxos, adivinhos, curandeiros, todos se juntaram para pôr um fim à obsessão de Icu.
Mas todos foram vencidos.
Os humanos continuavam morrendo antes do tempo.
Os Ibejis, então, armaram um plano para deter Icu.
Um deles foi pela trilha perigosa onde Icu armara sua mortal armadilha.
O outro seguia o irmão escondido, acompanhando-o à distância por dentro do mato.
O Ibeji que ia pela trilha ia tocando seu pequeno tambor.
Tocava com tanto gosto e maestria que a Morte ficou maravilhada, não quis que ele morresse e o avisou da armadilha.
Icu se pôs a dançar inebriadamente, enfeitiçada pelo som do tambor do menino.
Quando o irmão se cansou de tocar, o outro, que estava escondido no mato, trocou de lugar com o irmão, sem que Icu nada percebesse.
E assim um irmão substituía o outro e a música jamais cessava.
E Icu dançava sem fazer sequer uma pausa.
Icu, ainda que estivesse muito cansada, não conseguiu parar de dançar.
E o tambor continuava soando seu ritmo irresistível.
Icu já estava esgotada e pediu ao menino que parasse a música por uns instantes, para que ela pudesse descansar.
Icu implorava, queria descansar um pouco.
Icu já não aguentava mais dançar seu tétrico bailado.
Os Ibejis então lhe propuseram um pacto.
A música pararia, mas a Morte teria que jurar que retiraria todas as armadilhas.
Icu não tinha escolha, rendeu-se.
Os gêmeos venceram.
Foi assim que os Ibejis salvaram os homens e ganharam fama de muito poderosos, porque nenhum outro orixá conseguiu ganhar
aquela peleja com a Morte.
Os Ibejis são poderosos, mas o que eles gostam mesmo é de brincar.
– A vossos olhos, não; aos nossos, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea.
Novidade no blog do Lar Esperança
agora temos os botões curtir e compartilhar na rede, gostou curtiu, abraço a todos os irmãos e filhos do Lar Esperança
A alma segundo o LIVRO DOS ESPÍRITOS
A ALMA
Há outra palavra sobre a qual devemos igualmente nos entender, por constituir em si um dos fechos de abóbada2, isto é, a sustentação de toda a doutrina moral, e que se tornou objeto de muitas controvérsias por falta de um significado que a defina com precisão determinada. É a palavra alma. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma resulta da aplicação particular que cada um faz dessa palavra. Uma língua perfeita, em que cada idéia tivesse sua representação por um termo próprio, evitaria muitas discussões; com uma palavra para cada coisa, todos se entenderiam.
Segundo alguns, a alma é o princípio da vida material orgânica, não tem existência própria e termina com a vida: é o materialismo puro. É nesse sentido e por comparação que se diz de um instrumento rachado quando não emite mais som: não tem alma. De acordo com essa opinião, a alma seria um efeito e não uma causa.
Outros pensam que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma porção. De acordo com esse pensamento, haveria para todo o universo apenas uma única alma que distribui suas centelhas entre os diversos seres inteligentes durante a vida. Após a sua morte, cada centelha retornaria à fonte comum, onde se misturaria no todo, como as águas dos riachos e dos rios retornam ao mar de onde saíram. Essa opinião difere da anterior apenas em que, nessa hipótese, há no corpo mais do que a matéria e que resta alguma coisa depois da morte; mas é quase como se não restasse nada, uma vez que, incorporando-se ao todo de onde veio, perde a individualidade e, assim, não teríamos mais consciência de nós mesmos. De acordo com essa opinião, a alma universal seria Deus e cada ser, uma porção da divindade. Essa é uma variante do panteísmo3.
E por fim, segundo outros, a alma é um ser moral, distinto e independente da matéria, que conserva sua individualidade após a morte. Essa concepção é, indiscutivelmente, a mais generalizada, visto que, sob um nome ou outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra como crença instintiva e independentemente de qualquer ensinamento, entre todos os povos, seja qual for o grau de sua civilização. Essa doutrina, segundo a qual a alma é a causa e não o efeito, é a dos espiritualistas.
Sem discutir o mérito dessas opiniões, considerando apenas o lado lingüístico da questão, diremos que as três aplicações da palavra alma constituem três idéias distintas e que, para serem claramente expressas, cada uma precisaria de um termo diferente. A palavra tem, portanto, uma tríplice significação e cada uma tem razão em seu ponto de vista, na definição que lhe dá. O problema é a língua ter apenas uma palavra para designar três idéias. Para evitar qualquer equívoco, seria preciso aplicar o significado da palavra alma a uma dessas três idéias. Escolher qualquer uma é indiferente, é uma questão de ajuste de opiniões; o importante é que nos entendamos. Acreditamos mais lógico tomá-la na sua concepção mais comum; é por isso que denominamos ALMA o ser imaterial e individual que existe em nós e que sobrevive ao corpo. Ainda que esse ser não existisse e fosse apenas um produto da imaginação, seria preciso assim mesmo um termo para designá-lo.
Na falta de uma palavra especial para cada uma das outras duas idéias, denominamos princípio vital o princípio da vida material e orgânica, qualquer que lhe seja a origem, e que é comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Podendo existir vida sem depender da capacidade de pensar, o princípio vital é assim uma propriedade distinta e autônoma4. A palavra vitalidade não daria a mesma idéia. Para alguns, o princípio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz quando a matéria se encontra em determinadas circunstâncias. Segundo outros, e esta é a idéia mais comum, ele se encontra num fluido especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida, como vemos os corpos inertes absorverem a luz. Este seria, então, o fluido vital, que, segundo algumas opiniões, seria o fluido elétrico animalizado, designado também sob os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.
O que quer que ele seja, há um fato que não se poderá contestar, porque é resultante da observação: é que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida, enquanto essa força dure; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e é independente da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são capacidades próprias de algumas espécies orgânicas; e que, enfim, entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento, há uma que é dotada de um senso moral especial que lhe dá uma incontestável superioridade sobre as outras: é a espécie humana.
Concebe-se assim que nem o materialismo nem o panteísmo excluem em suas teorias a noção de alma por causa do significado abrangente que se lhe pode atribuir. Mesmo o espiritualista pode entender muito bem a alma segundo uma das duas primeiras definições, sem reduzir o ser imaterial distinto ao qual dará um nome qualquer. Assim, a palavra alma não representa uma idéia única; é um Proteu5 que cada um acomoda a seu gosto, daí a fonte de tantas disputas intermináveis.
Ao se utilizar da palavra alma em qualquer dos três casos, teríamos uma idéia clara ao lhe acrescentar um qualificativo que especificasse o ponto de vista a que se refere, ou a aplicação que se faz dela.
Seria, então, uma palavra genérica, representando ao mesmo tempo o princípio da vida material, da inteligência e do sentido moral, mas que se diferenciaria por um atributo, como o gás, por exemplo, que se distingue quando lhe acrescentamos as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto. Assim é que deveríamos compreender a alma vital para designar o princípio da vida material; a alma intelectual para o princípio da inteligência que se expressa enquanto há vida e a alma espírita para o princípio de nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isso é uma questão de palavras, mas uma questão muito importante para entender. De acordo com isso, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual seria própria dos animais e dos homens; e a alma espírita,apenas do homem.
Acreditamos dever insistir nessas explicações, porque a Doutrina Espírita baseia-se naturalmente na existência em nós de um ser independente da matéria e que sobrevive à morte do corpo. Como a palavra alma deve aparecer freqüentemente no decorrer desta obra, é importante saber o exato sentido que lhe damos, a fim de evitar qualquer equívoco.
ALTAR ÍNTIMO
Emmanuel
“Temos um altar”.
PAULO, (Hebreus, 13:10).
Até agora, construímos altares em toda parte, reverenciando o Mestre e Senhor.
De ouro, de mármore, de madeira, de barro, recamados de perfumes, preciosidades e flores, erguemos santuários e convocamos o concurso da arte para os retoques de iluminação artificial e beleza exterior.
Materializado o monumento da fé, ajoelhamo-nos em atitude de prece e procuramos a inspiração divina.
Realmente, toda movimentação nesse sentido é respeitável, ainda mesmo quando cometemos o erro comum de esquecer os famintos da estrada, em favor das suntuosidades do culto, porque o amor e a gratidão ao Poder Celeste, mesmo quando mal conduzidos, merecem veneração.
Todavia, é imprescindível crescer para a vida maior.
O prórpio Mestre nos advertiu, junto à Samaritana, que tempos viriam em que o Pai seria adorado em espírito e verdade.
E Paulo acrescenta que temos um altar.
A finalidade máxima dos templos de pedra é a de despertar-nos a consciência.
O cristão acordado, porém, caminha oficiando como sacerdote de si mesmo, glorificando o amor perante o ódio, a paz diante da discórdia, a serenidade à frente da perturbação, o bem à vista do mal…
Não olvidemos, pois, o altar íntimo que nos cabe consagrar ao Divino Poder e à Celeste Bondade.
Comparecer, ante os altares de pedra, de alma cerrada à luz e à inspiração do Mestre, é o mesmo que lançar um cofre impermeável de trevas à plena claridade solar. Se as ondas luminosas continuam sendo ondas luminosas, as sombras não se alteram igualmente.
Apresentemos, portanto, ao Senhor as nossas oferendas e sacrifícios em quotas abençoadas de amor ao próximo, adorando-o, através do altar do coração, e prossigamos no trabalho que nos cabe realizar.
Livro Fonte Viva. Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia Francisco C. Xavier
COMO TRABALHAM OS GUARDIÕES
O texto abaixo foi retirado do livro AÇÃO E REAÇÃO de ANDRÉ LUIZ e nos da uma visão clara de como trabalham os guardiões nas camadas mais densas da terra.
É longo mas a título de estudo vale a leitura!
alguns recém desencarnados André Luiz
Atingíramos largo recinto construído à feição de um pátio interior de proporções corretas e amplas.
Tive a idéia de penetrar em enorme átrio, algo semelhante a certas estações ferroviárias terrestres, porque nas acomodações marginais, caprichosamente dispostas, se encontravam dezenas de entidades em franca expectativa.
A dizer verdade, não vi sinais de alegria completa em rosto algum.
Os grupos variados, alguns deles em discreto entendimento, dividiam-se entre a preocupação e a tristeza.
De passagem, podíamos ouvir diálogos diferentes.
Em círculo reduzido, registramos frases como estas:
-Acreditas possa ela, agora, devotar-se à mudança justa?
-Dificilmente. Centralizou-se, por muito tempo, no descontrole da própria vida.
Mais além escutamos dos lábios de uma senhora que se dirigia a uma rapaz de agoniado semblante:
-Meu filho, guarde serenidade. Segundo informações do Assistente Cláudio, seu pai não virá em condições de reconhecer-nos. Precisará muito tempo para retornar a si.
Em trânsito, não assinalava senão alguns retalhos de conversão, como esses.
A certa altura, na praça em movimentação. Druso, generoso, confiou-nos aos cuidados de Silas, mencionando obrigações urgentes que lhe abreviariam a atenção.
Encontrar-nos-íamos no dia seguinte, informou.
A promessa gentil obrigou-me a considerar o aspecto do tempo.
Pela sombra reinante, não poderíamos saber se era dia, s era noite.
Por isso, o grande relógio, ali existente, com largo mostrador abrangendo as vinte e quatro horas, funcionou aos meus olhos como a bússola para o viajante, deixando-me perceber que estávamos em noite alta. (3).
Sons de campanas invisíveis cortavam agora o ar e, assinalando-nos a curiosidade, Silas esclareceu que a caravana-comboio penetraria no recinto em alguns minutos.
Aproveitei os momentos para indagações que julgueis necessárias.
Que espécies de criaturas aguardavam, ali? Recém-desencarnados em que condições? Com se organizaria a caravana-comboio? Vinha diariamente à instituição atendendo a horário certo?
O companheiro, que se dispusera a assistir-nos, informou que as entidades prestes a entrarem integravam uma equipe de dezenove pessoas, acompanhadas por dez servidores da casa, que lhes orientavam a excursão, tratando-se de recém-desencarnados em desequilíbrio mental, mas credores de imediata assistência, de vez que não se achavam em desesperação, nem se haviam comprometido de todo com as forças dominantes nas trevas. Notificou, ainda, que a caravana se constituía de
trabalhadores especializados, sob a chefia de um Atendente, e que viajavam com simplicidade, sem carros de estilo, apenas conduzindo o material indispensável à locomoção no pesado ambiente das sombras, auxiliada por alguns cães inteligentes e prestimosos.
A Mansão contava com dois grupos dessa natureza.
Diariamente um deles atingia aquele domicílio de reajuste, revezando-se no piedoso mister socorrista.
Entretanto – aclarou -, não possuíam horário certo para a chegada de vez que a peregrinação, pelos domínios das trevas, obedecia comumente a fatores circunstanciais.
Mal terminaria o interlocutor e a expedição penetrava o enorme átrio.
Os cooperadores responsáveis estavam aparentemente calmos, evidenciando alguns, entretanto, no olhar, funda preocupação.
Os recolhidos, no entanto, exceção de cinco que vinham de maca, desmemoriados e dormente, revelavam perturbações manifestas que, em alguns, se expressavam por loucura desagradável, se bem que pacífica.
Enquanto os enfermeiros se desvelavam em ajuda-los, carinhosos e atentos, e os cães se deitavam, extenuados, aqueles seres recém-chegados falavam e reclamavam, demonstrando absoluta ausência mental da realidade e provocando piedade e constrangimento.
Silas convidou-nos à movimentação.
Efetivamente, cabia-nos algo fazer na cooperação.
O chefe da caravana aproximou-se de nós e o Assistente no-lo apresentou num gesto amigo.
Era o Atendente Macedo, valoroso condutor de tarefas socorristas.
Afeiçoados e parentes dos recém-vindos cercavam-nos, agora, com expressões de alegria e sofrimento.
Algumas senhoras que vira, antes, em ansiosa expectativa, derramavam lágrimas discretas.
Notei que as criaturas recém-desligadas dos corpos densos, conturbadas qual se achavam, traziam consigo todos os sinais das moléstias que lhes haviam imposto a desencarnação.
Ligeiro exame clínico poderia sem dúvida favorecer a leitura da diagnose individual.
Dama simpática abeirara-se de uma jovem senhora que vinha amparada pela ternura de uma das enfermeiras da instituição, e, abraçando-a, chorava sem palavras. A moça recém-liberta recebia-lhe os carinhos, rogando, comovente:
Não me deixem morrer!… Não me deixem morrer!…
Mostrando-se enclausurada na lembrança dos momentos derradeiros no corpo terrestre, de olhos torturados e lacrimosos, avançou para Silas, exclamando:
-Padre! Padre deixa cair sobre mim a bênção da extrema-unção; contudo, afasta de minha alma a foice da morte!…Tentei apagar minha falta na fonte da caridade para com os desprotegidos da sorte, mas ingratidão, praticada com minha mãe, fala muito alto em minha consciência infeliz!… Ah! Por que o orgulho me encegueceu, assim tanto, a ponto de condena-la à miséria?!… Por que não me possuía, há vinte anos, a compreensão que tenho agora? Pobrezinha, meu padre! Lembra-se dela? Era uma atriz humilde que me criou com imensa doçura!…Concentrou em mim a existência…Da ribalta festiva, desceu o rude labor doméstico para conquistar nosso pão…Tinha a sociedade contra ela, e meu pai, sem ânimo de lutar pela felicidade de todos nós, deixou-a arrastar-se na extrema pobreza, acovardado e infiel aos compromissos que livremente assumira…
A infortunada criatura fez ligeiro interregno, misturando as próprias lágrimas com as da nobre matrona que a conchegava de encontro ao peito e, de mente aprisionada à confissão que fizera “in extremis”, continuou qual se tivesse o sacerdote ao pé de si:
-Padre, perdoe-me, em nome de Jesus, entretanto, quando me vi jovem e senhora do vultoso dote que meu pai me conferira, envergonhei-me do anjo maternal que sobre os meus dias estendera as brancas asas e, aliando-me ao homem vaidoso que desposei, expulsei-a de nossa casa!… Oh! Ainda sinto o frio daquela terrível noite de adeus!… Atirei-lhe ao rosto frases cruéis… Piedade!… Pretendendo elevar-me no conceito do homem desposara, menti que ela não era minha mãe! Apontei-a como ladra comum que me roubara ao nascer!… Lembro-me do olhar de dor e compaixão que me lançou ao despedir-se…Não se queixou, nem reagiu…Apenas contemplou-me, tristemente, com os olhos túrgidos de chorar!…
Nessa altura, a dama que a sustentava afagou-lhe os cabelos em desalinho e buscou reconforta-la:
-Não se excite. Descanse…Descanse…
-Ah! Que voz é esta? – bradou a moça a desvairar-se de angústia.
E, tateando as mãos afetuosas que lhe acariciavam a face, exclamou, sem vê-las:
-Oh! Padre dir-se-ia que ela se encontra aqui, junto de mim!…
E, voltando para o alto os olhos apagados e súplices, rogava em pranto:
-Ó Deus, não me deixeis encontra-la, sem que pague os meus débitos!…Senhor, compadecei-vos de mim, pecadora que Vos ofendi, humilhando e ferindo a amorosa mãe que me destes!…
Como auxílio de duas enfermeiras, porém, a simpática senhora que a acalentava situou-a em leito portátil e fê-la emudecer, à força de inexcedível ternura. Percebendo-me a emotividade, Silas, depois de amparar o serviço de acomodação da doente, explicou:
-A dama generosa que a recolheu nos braços é a genitora que veio ao encontro da filha.
-Que nos diz?! – Exclamou Hilário, assombrado.
-Sim, acompanhá-la-á, carinhosamente, sem identificar-se, para que a pobre desencarnada não sofra abalos prejudiciais. O traumatismo perispirítico vale por muito tempo de equilíbrio e aflição.
-E por que motivo teria a doente decidido confessar-se, dessa maneira? – pergunta meu colega, intrigado.
-É fenômeno comum – elucidou o Assistente. – as faculdades mentais de nossa irmã sofredora estagnaram-se no remorso, em razão do delito máximo de sua existência última, e, desde que foi mais intensamente tocada pelas reflexões da morte, entregou-se, de modo total, a semelhantes reminiscências. Por haver cultivado a fé católica romana, imagina-se ainda diante do sacerdote, acusando-se pela falta que lhe maculou a vida…
O espetáculo ferira-me, fundo.
A rudeza do quadro que a verdade me oferecia obrigava-me a dolorida meditação.
Não havia, então, males ocultos na Terra!…
Todos os crimes e todas as falhas da criatura humana se revelariam algum dia, em algum lugar!…
Silas entendeu a amargura de minhas reflexões e veio em meu socorro, observando:
-Sim, meu amigo, você repara com acerto. A Criação de Deus é gloriosa luz. Qualquer sombra de nossa consciência jaz impressa em nossa vida até que a mácula seja lavada por nós mesmos, com o suor do trabalho ou com o pranto da expiação…
E ante os apelos agoniados e afetivos nos reencontros a se processarem, ali, sob nossos olhos, em que filhos e pais, esposos e amigos se reaproximavam uns dos outros, o Assistente acrescentou:
-Geralmente a estas plagas de inquietação aportam aqueles que em si mesmos cavaram mais fundos sulcos infernais e que se cristalizaram em perigosas ilusões, mas a Bondade Infinita do Senhor permite que as vítimas edificadas no entendimento e no perdão se transformem, felizes, em abnegados cireneus dos antigos verdugos. Como é fácil verificar, o incomensurável amor de nosso Pai Celeste sobre, não somente os territórios glorificados do paraíso, mas também as províncias atormentadas do inferno que criamos…
Pobre mulher prorrompeu um choro convulso, junto de nós, cortando a palavra de nosso amigo.
De punhos cerrados, reclamava a infeliz:
-Quem me libertará de Satã? Quem me livrará do poder das trevas? Santos anjos, socorrei-me! Socorrei-me contra o temível Belfegor!…
Silas convocou-nos ao amparo magnético imediato.
Enfermeiros presentes acorreram, solícitos, impedindo o agravamento da crise.
-Maldito! Maldito!… – repetia a demente, persignando-se.
Invocando o socorro divino, através da oração, procurei anular-lhe os movimentos desordenados, adormecendo-a pouco a pouco.
Asserenado o ambiente, convidou-nos Silas a sondar-lhe a mente conturbada, agora sob o império de profunda hipnose.
Busquei pesquisar-lhe a desarmonia em rápido processo de análise mental, e verifiquei, espantado, que a pobre amiga era portadora de pensamentos horripilantes.
Como que a se lhe enraizar no cérebro, via escapar-lhe do campo íntimo a figura animalesca de um homem agigantado, de longa cauda, com a fisionomia de garras e ostentando dois chifres, sentado numa cadeira tosca, qual se vivesse em perfeita simbiose com a infortunada criatura, em mútua imanização.
Diante da minha pergunta silenciosa, o Assistente informou:
-É um clichê mental, criado e nutrido por ela mesma. As idéias macabras da magia aviltante, quais sejam as da bruxaria e do demonismo que as igrejas denominadas cristãs propagam, a pretexto de combate-los, mantendo crendices e superstições, ao preço de conjurações e exorcismos, gera, imagens como esta, a se difundirem nos cérebros fracos e desprevenidos, estabelecendo epidemias de pavor alucinatório. As Inteligências desencarnadas entreguem à perversão, vale-se desses quadros mal contornados que a literatura feiticista ou a pregação invigilante distribuem na Terra, a mancheias, e imprime-lhes temporária vitalidade, assim como um artista do lápis se aproveita dos debuxos de uma criança, tomando-os por base os desenhos seguros com que passa a impressionar o ânimo infantil.
O esclarecimento se me deparava como oportuna chave para a solução de muitos enigmas, no capítulo da obsessão, em que os doentes começam atormentando a si mesmos e acabam atormentados por seres que se afinam com o desequilíbrio que lhes é próprio.
Hilário, que observava atentamente o duelo íntimo entre a enferma prostrada e a forma-pensamento que se lhe superpunha à cabeça, falou comovido:
-Lembro-me de haver manuseado, há muitos anos, na Terra, um livro de autoria de Collin de Plancy, aprovado pelo arcebispo de Paris, trazendo a descrição minuciosa de diversos demônios, e creio haver visto uma figura gravada nessa obra, semelhante à que temos sob nossa direta observação.
Silas adiantou, confirmando:
-Isso mesmo. É o demônio Belfegor, segundo as anotações de Jean Weier, que imprevidentes autoridades da Igreja permitiram se espalhasse nos círculos católicos. Conhecemos o livro a que se refere. Tem criado empecilhos tremendos a milhares de criaturas que inadvertidamente acolhem tais símbolos de Satanás, oferecendo-os a Espíritos bestializados que os aproveitam para formar terríveis processos de fascinação e possessão.
Refletia quanto ao problema dos moldes mentais na vida de cada um de nós, quando o Assistente, certo me surpreendendo a indagação, acentuou bem-humorado:
-Aqui, é fácil reconhecer que cada coração edifica o inferno em que se aprisiona, de acordo com as próprias obras. Assim, temos conosco os diabos que desejamos, segundo o figurino escolhido ou modelado por nós mesmos.
O serviço assistencial, porém, exigia cautelosa atenção. E, por isso, removemos a enferma para o aposento limpo e bem-posto que a esperava.
Decorridos alguns minutos, voltamos ao átrio, então descongestionado e silencioso.
Apenas algumas sentinelas da noite velavam, infatigáveis e atentas.
Os tormentos entrevistos compeliam-me a pensar. Muito já estudara acerca de pensamento e fixação mental, todavia, a angústia daquelas almas recém-desencarnadas me infundia compaixão e quase terror.
Confiei ao amigo que nos acompanhava, bondoso, a indefinível tortura de que me via objeto e o Assistente esclareceu com sabedoria:
-Em verdade, estamos ainda longe de conhecer todo o poder criador e aglutinante encerrado no pensamento puro e simples, e, em razão disso, tudo deve fazer por libertar os entes humanos de todas as expressões perturbadoras da vida íntima. Tudo o que nos escravize à ignorância e à miséria, à preguiça e ao egoísmo, à crueldade e ao crime é fortalecimento da treva contra a luz e do inferno contra o Céu.
E talvez porque desejasse ardentemente mais alguma anotação, em torno do transcendente assunto, Silas ajuntou:
-Recorda-se de haver lido alguma memória, alusiva às primeiras experiências de Marconi, nos albores do telégrafo sem fio?
-Sim – respondi -, lembro-me de que o sábio ainda muito jovem se consagrou ao estudo das observações de Henrique Hertz, o grande engenheiro alemão que realizou importantes experiências sobre as ondulações elétricas, comprovando as teorias da identidade da transmissão entre a eletricidade, a luz e o calor irradiante, e sei que, certa feita, tomando-lhe o oscilador e conjugando-o com a antena de Popoff e com o receptor de Branly, no jardim da casa paterna, conseguiu transmitir sem fio os sinais do alfabeto Morse. Mas… Que tem isso a ver com o pensamento?
O Assistente sorriu e falou:
-A referência é significativa para as nossas considerações. Além dela, volvamos à televisão, uma das maravilhas da atualidade terrestre…
E acrescentou:
-Reporto-me ao assunto para lembrar que na radiofonia e na televisão os elétrons que carreiam as modulações da palavra e os elementos da imagem se deslocam no espaço com velocidade igual à da luz, ou seja, a trezentos mil quilômentos por segundo. Ora, num só local pode funcionar um posto de emissão e outro de recepção, compreendendo-se que, num segundo, as palavras e as imagens podem ser irradiadas e captadas, simultaneamente, depois de atravessarem imensos domínios do espaço, em fração infinitesimal de tempo. Imaginemos agora o pensamento, força viva e atuante, cuja velocidade supera a da luz. Emitido por nós, volta, inevitavelmente a nós mesmos, compelindo-nos a viver, de maneira espontânea, em sua onda de formas criadoras, que naturalmente se nos fixam no espírito quando alimentadas pelo combustível de nosso desejo ou de nossa atenção. Daí, a necessidade imperiosa de nos situarmos nas idéias mais nobres e nos propósitos mais puros da vida, porque energias atraem energias da mesma natureza, e, quando estacionárias na viciação ou na sombra, as forças mentais que exteriorizamos retornam ao nosso espírito, reanimadas e intensificadas pelos elementos que com elas se harmonizam, engrossando, dessa forma, as grades da prisão em que nos detemos irrefletidamente, convertendo-se-nos a alma num mundo fechado, em que as vozes e os quadros de nossos próprios pensamentos, acrescidos pelas sugestões daqueles que se ajustam ao nosso modo de ser, nos impõem reiteradas alucinações, anulando-nos, de modo temporário, os sentidos sutis.
E depois de ligeira pausa, concluiu:
-Eis por que, efetuada a supressão do corpo somático, no fenômeno vulgar da morte, a criatura desencarnada, movimentando-se num veículo mais plástico e influenciável, pode permanecer longo tempo sob o cativeiro de suas criações menos construtivas, detendo-se em largas faixas de sofrimento e ilusão com aqueles que lhes vivem os mesmos enganos e pesadelos.
A explicação não podia ser mais clara.
Calamo-nos; Hilário e eu; dominados por igual sentimento de respeito e reflexão.
Silas percebeu-nos a atitude interior e generosamente convidou-nos ao descanso em que, por algumas horas, conseguiríamos repousar e…Pensar.
(3 –Reportamo-nos a regiões encravadas nos domínios do próprio globo terrestre, submetidas às mesmas leis que lhe regulam o tempo – (Nota do Autor espiritual)).
NO CAMINHO DA CRUZ
mensagem de AGAR um guardião em “O CAMINHO DA CRUZ”
No planeta, quase toda a alegria é perigosa. Talvez por isso mesmo, o Pastor Divino preferiu conduzir as ovelhas pela porta da cruz.
O drama da redenção terrena é muitíssimo doloroso, mas o sacrifício é o nosso caminho para a ressurreição eterna. Sem Calvário vencido não há glória da Vida Imortal. À força de suportar o madeiro das aflições, veremos chegar o momento em que ele se transformará no luminoso cisne, cujas asas vigorosas nos transportarão para os Céus.
Para os grandes testemunhos, reservou o Senhor os grandes galardões.
A existência humana modifica seus quadros todos os dias.
E é necessário intensificar a nossa fé e a nossa confiança no Poder e na Bondade de Deus, para interpretar o sofrimento como estrada bendita de nossa redenção, para a vida imortal.
Nossas dores são nossas luzes.
Quando soa o grande momento, ao cair das muralhas que nos prendem ao campo das sensações fisiológicas, então co-meça para nós o bendito retorno à vida eterna.
Na Terra tudo passa excessivamente depressa e é um erro perder tempo no cipoal da incompreensão.
Enquanto no mundo, nem sempre sabemos valorizar a riqueza que os obstáculos nos oferecem, que as provas nos facultam, mas devemos arrimar-nos à certeza de que a Providência nos acompanha, de perto, jamais trazendo ao nosso espírito problemas e lutas de que não carecemos.
O tempo desfaz todas as tempestades, e as nuvens não se eternizam no céu.
A existência terrestre é apenas um dia, dentro da eternidade.
Não podemos violentar os princípios que regem a vida, e a sementeira deve anteceder a colheita.
Dilata-se a dor na Teria com o discernimento. Compreender entre os homens é sofrer sempre mais…
Se os acúleos provocam feridas na alma apressa, não nos esqueçamos da fonte cristalina do perdão, da renúncia, do amor com o Cristo. Somente ao contato de suas águas balsamizantes é possível restaurar o coração dilacerado e abatido.
O tempo tudo transforma e o devotamento jamais esperou em vão. Mais vale seguir no trilho espinhoso, de cruz nos ombros extenuados, que marchar sob enganosa coroa de flores, com desconhecimento da realidade que nos aguarda.
Não é a primavera que descobre o diamante oculto na serra empedrada, mas sim o instrumento duro e cortante do lapidário. E nosso lapidário é o sofrimento, aceito com humildade e usado com paciência.
A existência vale somente pela alegria que pudermos estender e pelas bênçãos que conseguirmos semear. Não nos importem os obstáculos e contingências do caminho humano. Se o salário de Jesus foi o crucifixo aviltante, não temos o direito de esperar a compreensão imediata de nossa boa vontade, que o próprio Mestre não recebeu.
Sigamo-Lo, pois, hoje e sempre, em favor de nossa libertação.
Do livro Cartas do coração. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
PRESERVAÇÃO E BOM SENSO NA UMBANDA
Não haveria um meio de tornar essas oferendas mais agradáveis a Deus se aliviassem as necessidades daqueles a quem falta o necessário; e, nesse caso, o sacrifício de animais, quando feito com um objetivo útil, não se tornaria meritório, embora fosse abusivo quando não servia para nada ou só tinha proveito apenas para as pessoas que não tinham necessidade de nada? Não haveria alguma coisa de verdadeiramente piedoso em consagrar aos pobres os primeiros frutos dos bens que Deus nos concedeu na Terra?
– Deus abençoa sempre aqueles que fazem o bem,e aliviar os pobres e aflitos é o melhor meio de honrá-Lo. Não quero dizer, entretanto, que Deus desaprova as cerimônias que fazeis por devoção, mas há muito dinheiro que poderia ser empregado mais utilmente e não é. Deus ama a simplicidade em todas as coisas. O homem que fundamenta sua crença nas exterioridades e não no coração é um Espírito com vistas estreitas. Julgai se Deus deve se importar mais com a forma do que com o conteúdo.
- Ofereça flores, mas procure levar vasos e planta-las na natureza para que sempre encantem com sua beleza, faça o mesmo com ervas, árvores e até frutos.
- Orixá não bebe, ofereça água que irriga o solo, que limpa nosso corpo fisico e trabalha nosso duplo etéreo, regue a natureza, lave suas mãos simbolizando a limpeza de sua alma, utilize a água como remédio em seus atendimentos no terreiro na composição de chás ou mesmo pura.
- Não sacrifique animais, a dor não agrada a Deus, doe sua vida a caridade, ao semelhante lembre-se que o maior sacrificio a Deus é doarmos nosso amor, nosso perdão e não derramarmos sangue de seres inocentes irmãos nossos
- Utilize as frutas de sua oferenda depois de consagradas para saciar a fome dos presentes, não desperdice alimentos eles ainda vão nos fazer muita falta. Orixa não come sua energia esta na formação da fruta desde que a mesma foi consagrada esta força esta ativa, então a utileze de forma inteligente.
- Não adianta encher uma oferenda de velas e manter a alma escura, mantenha a chama do amor viva dentro de você a chama da vela por mais inebriante que seja acaba, mas nosso amor vive sempre.
Lenda de Ibejis – Reginaldo Prandi
Os Ibejis, os Orixás gêmeos, viviam para se divertir.Não é por acaso que eram filhos de Oxum e Xangô.
Viviam tocando uns pequenos tambores mágicos, que ganharam de presente de sua mãe adotiva, Iemanjá.
Nessa mesma época, a Morte colocou armadilhas em todos os caminhos e começou a comer todos os humanos que caíam na suas arapucas.
Homens, mulheres, velhos ou crianças, ninguém escapava da voracidade de Icu, a Morte.
Icu pegava todos antes de seu tempo de morrer haver chegado.
O terror se alastrou entre os humanos.
Sacerdotes, bruxos, adivinhos, curandeiros, todos se juntaram para pôr um fim à obsessão de Icu.
Mas todos foram vencidos.
Os humanos continuavam morrendo antes do tempo.
Os Ibejis, então, armaram um plano para deter Icu.
Um deles foi pela trilha perigosa onde Icu armara sua mortal armadilha.
O outro seguia o irmão escondido, acompanhando-o à distância por dentro do mato.
O Ibeji que ia pela trilha ia tocando seu pequeno tambor.
Tocava com tanto gosto e maestria que a Morte ficou maravilhada, não quis que ele morresse e o avisou da armadilha.
Icu se pôs a dançar inebriadamente, enfeitiçada pelo som do tambor do menino.
Quando o irmão se cansou de tocar, o outro, que estava escondido no mato, trocou de lugar com o irmão, sem que Icu nada percebesse.E assim um irmão substituía o outro e a música jamais cessava.
E Icu dançava sem fazer sequer uma pausa.
Icu, ainda que estivesse muito cansada, não conseguiu parar de dançar.
E o tambor continuava soando seu ritmo irresistível.
Icu já estava esgotada e pediu ao menino que parasse a música por uns instantes, para que ela pudesse descansar.
Icu implorava, queria descansar um pouco.
Icu já não aguentava mais dançar seu tétrico bailado.
Os Ibejis então lhe propuseram um pacto.
A música pararia, mas a Morte teria que jurar que retiraria todas as armadilhas.
Icu não tinha escolha, rendeu-se.
Os gêmeos venceram.
Foi assim que os Ibejis salvaram os homens e ganharam fama de muito poderosos, porque nenhum outro orixá conseguiu ganhar
aquela peleja com a Morte.
Os Ibejis são poderosos, mas o que eles gostam mesmo é de brincar.
– A vossos olhos, não; aos nossos, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea.

